quinta-feira, 23 de junho de 2016

O Discípulo e o Fruto do Espírito Santo

Texto Bíblico
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade,
bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei"
(Gálatas 5:22 e 23)

INTRODUÇÃO

O fruto do Espírito é a expressão da natureza e do caráter de Cristo através do crente, ou seja, é a reprodução da vida de Cristo no crente. Por si só, o homem não tem condições de produzir o fruto do Espírito. Sua inclinação natural será sempre de produzir os frutos da carne. Contrastando com os frutos (ou obras) da carne, o fruto do Espírito possibilita ao autêntico cristão viver de modo íntegro diante de Deus e dos homens. É necessário que o crente submeta-se incondicionalmente ao Espírito Santo. O '...Fruto...' de Gálatas 5:22, conceituado como 'expressões do caráter cristão', está no singular provavelmente por tratar-se de uma única notável virtude implantada pelo Espírito Santo de uma só vez no crente.
É através do fruto do Espírito que o cristão participa da natureza divina.

I. A NATUREZA DO FRUTO DO ESPÍRITO

O que representa e em que consiste o fruto do Espírito na vida do crente? O fruto do Espírito consiste nas nove virtudes ou qualidades da personalidade de Deus implantadas pelo Espírito de Verdade no interior do crente com a finalidade de conduzi-lo à perfeição, ou seja, à imagem de Cristo. Em suma, os frutos do Espírito representa os atributos de Deus; os traços do seu caráter. O crente precisa absorvê-lo com a ajuda do Espírito Santo. O fruto tem sua manifestação na vida interior, vem de dentro para fora, é o desenvolvimento da semente que caiu em boa terra e produz para a glória de Deus.
a. O fruto do Espírito representa 'expressões do caráter cristão':- O caráter cristão verdadeiro expressa-se no fruto do Espírito que é resumido no amor. Do amor surgem todos os demais atributos de Deus que são desenvolvidos no crente pelo Espírito Santo que nele habita. É por isso que o amor aparece encabeçando a lista das virtudes cristãs geradas pelo Espírito de Deus, por ser a fonte originária de todas as demais virtudes.
b. O fruto do Espírito representa a maturidade cristã:- O Espírito Santo produz o fruto do caráter cristão em nossa vida somente à medida que cooperamos com Ele. As línguas, a profecia, e até mesmo o conhecimento são úteis, e são dons maravilhosos do Espírito Santo, mas sua presença em nossa vida nem sempre é uma indicação de nossa maturidade cristã. A medida de nossa maturidade em Deus, depende de quão bem temos permitido que o Espírito Santo produza os traços do caráter de Jesus em nossa vida. A maturidade espiritual envolve melhor entendimento do Espírito de Deus e das necessidades das pessoas. 'O fruto do Espírito é resultado na vida dos que participam da natureza divina, ou seja, dos que estão ligados a Cristo a 'videira verdadeira' (João 15:1 a 5). Maturidade em Cristo envolve união com Ele; a limpeza ou a poda pelo Pai e a frutificação. Estas são as condições da frutificação e conseqüente vida cristã vitoriosa.

II. VIRTUDES OU QUALIDADES DO FRUTO DO ESPÍRITO

a. Qualidades universais:- Amor, alegria e paz. São virtudes direcionadas ao nosso relacionamento com Deus.
(1) Amor:- A palavra 'amor' neste trecho das Escrituras é a tradução da palavra grega 'agape'. Este é amor que flui diretamente de Deus. 'O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado' (Rm 5:5). É um amor de tamanha profundidade que levou Deus a dar seu único Filho como sacrifício pelos nossos pecados (Jo 3:16). É o amor de Jesus por nós: 'conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a nossa pelos irmãos (leia Jo 3:16; 15:2 a 13).
É muito fácil amar os seus entes queridos, como os pais, filhos esposos, parentes, amigos, esposas, etc. Mas, somente pelo Espírito Santo, você é capaz de dedicar o amor aos seus inimigos, de tal forma que lhes deseje o bem e perdoe as suas ofensas, de todo o coração, para jamais se lembrar delas.
(2) Gozo ou alegria:- Trata-se daquela qualidade de vida que é graciosa e bondosa, caracterizada pela boa vontade, generosa nas dádivas aos outros, resultante de um senso de bem-estar, sobretudo de um bem-estar espiritual, por causa de uma correta relação com Deus. Apesar das dificuldades financeiras, das enfermidades, das calunias, pela atuação do Espírito Santo, o crente está cheio de gozo em sua alma, como os apóstolos Paulo e Silas, presos injustamente, por causa do evangelho. Em vez de murmurarem, cantavam e oravam. Leia At 16:25.
(3) Paz:- Trata-se de uma qualidade espiritual produzida pela reconciliação, pelo perdão dos pecados e pela conversão da alma transformada segundo a imagem de Cristo (Rm 12:18). Leia Rm 5:1.
A queda do homem no pecado destruiu a paz com Deus, com outros homens, com o próprio ser, com a própria consciência. Foi por meio da instrumentalidade da cruz que Deus estabeleceu a paz (Cl 1:20).
O crente vive no meio da violência que gera insegurança e medo nas pessoas, mas essa virtude do Espírito lhe concede tranqüilidade e confiança.
b. Qualidades sociais:- Longanimidade, benignidade e bondade. São virtudes direcionadas ao relacionamento entre os cristãos.
(1) Longanimidade:- É uma qualidade atribuída a Deus. Ele tem tolerado pacientemente todas as iniqüidades do homem. Não se deixando levar pela ira nem pelo furor, manifesta seu amor, bondade e misericórdia; não usando sua justa indignação. De nós, os crentes, é esperado que nossas relações com os outros homens se caracterizem pela longanimidade do mesmo modo que Deus tem agido conosco. Leia 2 Co 6:6; Cl 1:11; 3:12.
Se Deus não fosse misericordioso e longânimo para conosco teríamos sido imediatamente consumidos.
(2) Benignidade:- Benignidade no original grego significa 'bondade' ou 'honestidade'. O crente que possui esta virtude é afável e gentil para com seus semelhantes não se mostrando inflexivel e amargo. Deus é a fonte dessa qualidade e Cristo o melhor exemplo. Ele foi uma pessoa imensamente gentil, conforme o evangelho o retrata. Essa virtude torna o crente benígno, desejoso do bem a todos, principalmente para os seus inimigos.
(3) Bondade:- Representa a generosidade que flui de uma santa retidão dada por Deus. Se antes você praticava o mal, agora é bom para todos, sem acepção de pessoas.
c. Demais qualidade:- Fidelidade, mansidão e temperança ou domínio próprio.
(1) Fé ou fidelidade:- No original grego significa tanto 'confiança' quanto 'fidelidade'. A fé aqui indica a confiança em Jesus Cristo (Ef 2:8 e 9). Mediante esta qualidade do fruto, podemos alcançar a medida total da plenitude de Cristo (Ef 4:13). À medida que esse fruto amadurece em nós, nossa confiança em Deus é fortalecida. A fé não produto humano; ocorre através da operação divina e consiste em confiança plena de alma em Cristo resultante de uma experiência com Ele. É a certeza de que Deus existe e está sempre conosco para nos dar a vitória.
(2) Mansidão:- Trata-se de uma submissão do homem para com Deus, e em seguida, para com o próprio homem. A mansidão é o resultado da verdadeira humildade, que nos leva ao reconhecimento do valor alheio e a recusa de nos considerarmos superiores. Jesus disse: 'Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra' (Mt 5:5).
Essa virtude torna você manso e calmo, quando antes era agressivo e se irava por qualquer coisa que o contrariava.
(3) Temperança:- Parece ser o somatório de tudo. Quem a possui, tem o domínio próprio.
(a) Nas palavras:- Há um ditado popular que afirma: 'Não devemos falar o que sabemos, mas sim, sabermos o que falamos'. Isto é o que se pode chamar de sobriedade, domínio próprio. Leia Tg 3:2.
Encontramos nas Escrituras Sagradas diversos exemplos de pessoas mal sucedidas, porque falaram demais. Miriã e Arão, irmãos de Moisés, o criticaram, por ter se casado com uma estrangeira. Deus, então os castigou. Ela por ser a mentora da critica, ficou leprosa por sete dias e ambos perderam o direito de entrar na terra prometida.
(b) Nas ações:- Quatro jovens judeus, levados cativos para a babilônia, foram escolhidos por Nabucodonosor para realizarem um curso, e depois servirem ao governo caldeu. O rei ordenou que os alimentasse com todas as iguarias da mesa real. Daniel e seus companheiros propuseram em seus corações (leia Dn 1:8). Solicitaram então, ao despenseiro que lhes fornecesse apenas legumes durante dez dias. Se após este período. seus semblantes estivessem abatidos, aceitariam o manjar do rei. No entanto, se apresentassem bom estado de saúde, continuariam com a refeição escolhida por eles até o final daquele treinamento. Após aquele período de dez dias, seus semblantes eram melhores do que os dos demais jovens. Por isso continuaram com aquela alimentação, à base de legumes, até o final do curso. Esta é uma demonstração de força de vontade, temperança e sobriedade dos quatro judeus.
(c) Nos pensamentos:- Por falta de domínio próprio, Davi cedeu a tentação que o naufragou no pecado e o fez pagar as conseqüências pelo resto da vida. Era a época em que os reis saíam para a guerra. No entanto, ele passeava no terraço de sua casa real. Seu pensamento vagava distante, em busca de algo que satisfizesse o seu ego. Repentinamente, deparou-se com uma cena que o devorou, como uma labareda de fogo a consumir algo inflamável: uma mulher banhava-se, nua, no quintal de sua casa. A chama da sensualidade acendeu o desejo incontido no coração do rei de Israel de possuí-la. Quando percebeu o que fizera, já era tarde demais: havia se deitado com ela e tinha ordenado a morte de seu marido. Tudo isso aconteceu por falta do auto controle do pensamento que o levou a cometer aquela loucura. Leia 2 Sm 11:1 a 4.
O crente deve sempre ocupar-se com coisas boas. E a melhor terapia é ler a Bíblia, cantar hinos de louvor ao Senhor, visitar os novos convertidos, desviados e enfermos. A Palavra de Deus também nos recomenda que devemos fugir da aparência do mal (1 Ts 5:22). Só assim venceremos as tentações e manteremos a nossa sobriedade. Onde você estiver: no trabalho, na igreja, no ônibus, etc. Pense nas coisas celestiais e viva com Jesus, vitoriosamente.
Conclusão
Muitos crentes pensam ser possível cultivar somente algumas das manifestações do fruto do Espírito, negligenciando outras. Não é possível ser crente completo quando em nossas vidas faltam vários elementos que formam o fruto do Espírito. Se eu tiver amor e não tiver fé, não sou completo; se eu tiver todas as demais manifestações e for intemperado, não estou seguindo a vontade do Pai. O fruto do Espírito forma em suas manifestações um conjunto harmônico: faltando uma, as demais estão todas prejudicadas. se formos enxertados na videira, é claro que o fruto deve ser uvas. Ora, um cacho de uvas amputado, com a falta de algumas uvas, é um cacho incompleto, imperfeito. Se a videira é perfeita, é lógico que os frutos e as folhas o sejam também.

QUESTIONÁRIO

1. Em que consiste o fruto do Espírito na vida do crente?
R:


2. Quais são as qualidades universais do fruto?
R:


3. Quais são as qualidades sociais do fruto?
R:


4. De que forma Deus tem mostrado a sua longanimidade?
R:


5. Qual a principal característica de quem possui a temperança?
R:

O FRUTO ESPIRITO SANTO

Através do Fruto do Espírito Santo o caráter de Cristo é novamente formado no homem. O pecado afetou consideravelmente imagem de Deus em nós levando-nos a produzir as obras da carne. (Efésios 2.2,3; Gálatas 5.19-21) Entretanto através do novo nascimento, Cristo é novamente formado em nós e assim somos transformados constantemente de glória em glória, crescendo na graça e no conhecimento de Jesus Cristo. (2 Co 3.17,18) A manifestação do fruto do Espírito Santo diz respeito à nossa santificação. (separação do pecado e consagração a Deus) É através da manifestação do fruto do Espírito Santo que a maturidade espiritual torna-se perceptível. Qualquer novo convertido pode manifestar fruto do Espírito Santo se a sua conversão for realmente autêntica.

Na Bíblia, em João 15.1,2 Jesus se expressou assim: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.” Ele usou a metáfora da videira para comunicar a necessidade de um relacionamento vital entre ele e o crente a fim de que haja a produção do fruto Espírito Santo. Esta é a maneira que evidencia que somos discípulos de Cristo. (Mt 7.16; 5.13-16) É através do fruto do Espírito Santo que Deus é glorificado em nossa vida, e assim muitos são abençoadas através de nosso bom testemunho. (João 15.8) A Bíblia declara que o fruto do Espírito Santo é o amor, o qual foi derramado por Deus em nossos corações (Rm 5.5) Lendo em Gálatas 5.22 verificamos que o fruto do Espírito pode se apresentar de 9 formas distintas:
  1. Amor(gr. ágape) – É o amor divino para com a humanidade perdida. (Jo 3.16) É um amor imutável, sacrificial, espontâneo e que nos leva a amar até os próprios inimigos. (Mt 5.46,48)
  2. Alegria (gozo)– é o amor exultante. É uma alegria constante na vida do crente, decorrente de seu bem-estar com Deus. Este amo se manifesta inclusive nas tribulações. (2 Co 7.4; At 13.52)
  3. Paz– A paz é o amor em repouso. É uma tranqüilidade íntima e perfeita, independente das circunstâncias. Podemos desfrutar da paz em três sentidos: Paz com Deus (Rm 5.1; Cl 3.15); paz com o próximo (Rm 12.18; Hb 12.14) e a paz interior. A paz que guarda nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus. (Fp 4.7) Os ímpios não tem paz! (Is 48.22)
  4. Longanimidade (paciência)– É o amor que suporta a falta de cortesia e amabilidade por parte dos outros. (Ef 4.2; 2 Co 6.4) É a paciência de forma contínua. Paulo reconheceu a paciência de Jesus Cristo para com ele. (1Tm 1.16) Em 2 Coríntios 6.4-6 Paulo fala da muita paciência.
  5. Benignidade –É uma forma de amor compassivo e misericordioso. É a virtude que nos dá condições de sermos gentis para com os outros, expressando ternura, compaixão e brandura. A benignidade de Deus na vida de Paulo impediu de o carcereiro de Filipos de suicidar-se. (Atos 16.24-34)
  6. Bondade –É a prática do bem, o amor em ação. É ser uma bênção para os outros. (Rm 15.14) e alcança o favor de Deus (Pv 12.2). É o amor generoso e caridoso. Se antes fazíamos o mal agora Cristo nos capacita para sermos bons para com todos.
  7. Fé –Não é apenas crer e confiar. É também ser fiel e honesto, pois Deus é fiel. (1 Co 1.9) Através desta virtude o crente se mantém fiel ao Senhor em quaisquer circunstâncias. Descobrimos se temos esta qualidade quando somos desafiados à infidelidade. É o amor em sua fidelidade a Deus. (1 Pe 1.6,7)
  8. Mansidão –Virtude que nos torna pacíficos, com serenidade e brandura diante de situações irritantes, perturbadora e desagradáveis. Antes éramos agressivos e nos irritávamos com qualquer coisa que nos contrariava. Jesus falou para aprendermos a mansidão com ele. (Mt 11.29). Ele se conservou manso diante de seu traidor. (1 Pe 2.21-23), e curou a orelha do servo do sumo sacerdote que fazia parte dos que tinham ido prendê-lo. (Lc 22.51) É o amor submisso a Deus.
  9. Temperança (Domínio próprio)– Deus respeita o nosso livre arbítrio e por isso não nos domina, mas nos guia na verdade. Além da orientação do Espírito Santo contamos com o domínio próprio que atua como um freio contra as paixões da carne as quais vão contra os propósitos de Deus para nossa vida. De vez em quando somos tentados, velhas paixões e coisas ilícitas podem bater à porta de nosso coração (1 Co 10.13 ;2 Pe 2.9) mas através dessa virtude o crente avalia e reconhece que a vontade de Deus é mais importante e assim ele é vitorioso. (Mt 10.37-39). É o domínio próprio que nos aperfeiçoa em santidade, por isso precisamos cultivá-lo (1 Co 6.12; 9.25) É o amor disciplinar de Deus. O domínio próprio envolve todas as áreas de nossa vida: os pensamentos, palavras e atos.
Conclusão: A Bíblia fala de diferentes níveis de frutificação: fruto (Jo 15.2a); mais fruto (Jo 15.2b); muito fruto (Jo 15.5,8) e o fruto permanente (João 15.16) Todos nós que já possuímos uma aliança com Deus fomos designados para darmos o fruto do Espírito Santo afim de que sejamos espirituais e não mais carnais. O caminho para a frutificação é ser sensível à voz do Espírito Santo em nosso interior. É Ele quem nos impulsiona a buscar a plena vontade de Deus para nossa sua vida. (Rm 12.1-2; 2 Co 7.1) Por sua vez a busca pela vontade de Deus envolverá o exercício de nossa fé (fidelidade) e esta opera a maturidade. (Hb 5.14)
Uma pessoa madura na fé experimenta o melhor de Deus, as coisas excelentes. Em Efésios 5.9,10 lemos: “Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade; aprovando o que é agradável ao Senhor. (Efésios 5.9,10). Vejamos a oração de Paulo pelos filipenses: “E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.” (Filipenses 1.9-11) Este é o plano de Deus para a restauração do homem a fim de que este venha a cumprir o propósito para o qual foi criado: glorificar a Cristo.
“Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos.” (2 Timóteo 1.6)